segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Como todos sabem, pelo primeira vez desde sempre, a nossa Selecção Nacional de Rugby está a participar num Campeonato do Mundo. Este simples facto por si só é louvável pois, como todos também sabem, a nossa selecção tem um carácter puramente amador.

Não sou apreciador nem seguidor deste desporto, mas não posso ficar indiferente quando o meu país está a ser representado num campeonato do mundo.
Como já referi, o simples facto de estarmos representados no campeonato do mundo, por si só já é uma conquista importante e que não deve, na minha opinião, passar despercebida.
Este fim de semana, os nosso bravos Lobos, jogaram contra a maior equipa mundial e assisti a um momento que me emocionou bastante. Falo do início do jogo, altura em que ambas as selecções cantam o seu hino. Foram poucas as vezes em que assisti a um entusiasmo tão contagiante como na altura em que os nosso bravos cantaram o nosso hino nacional. Pondo de parte a discussão sobre o conteúdo do nosso hino, o facto é que ele nos representa e diz algo sobre quem somos. Era notória a entrega, o compromisso, o orgulho e o tão falado "amor à camisola", nas expressões e atitudes mas sobretudo na energia envolvida no momento em que se cantou o hino.
Digo-o sem vergonha: fiquei arrepiado!
Claro que se conjectura uma comparação óbvia: Selecção Nacional de Futebol vs Selecção Nacional de Rugby. Em relação a isto não vou tecer qualquer comentário. Peço-vos apenas que vejam o vídeo. As conclusões são óbvias e tentar comparar seria trazer para o mesmo nível a Selecção de Futebol.
Como sugestão, e para perceberem a energia envolvida neste momento, experimentem ver o vídeo mas sem som.



Impressionante não é?

domingo, 16 de setembro de 2007

Zebras

Descobri que comparado com a maioria dos portugueses sou prepotente, arrogante e até mal educado. Estas características apenas se manifestam numa situação em especial. Não quero com isto dizer que não possa ser considerado prepotente e arrogante noutras alturas. A diferença é que nesta situação eu faço por isso.

A situação em causa é simples: atravessar a zebra (vulgo passadeira). É verdade, quando atravesso uma passadeira sou o tipo mais arrogante e mal agradecido à face da terra. Passo a explicar.
O povo português, como é do conhecimento geral, não é propriamente um povo cívico e respeitador no que diz respeito às regras de trânsito. Ora, sendo a passadeira parte integrante do código da estrada, nada mais natural para nós do que simplesmente ignorar as riscas brancas que atravessam a estrada. Se o peão quer passar, terá que esperar que haja uma "aberta" no fluxo do trânsito e, quem sabe, dar uma "corridinha" até ao outro lado da estrada. Neste cenário, sempre que um automobilista pára e permite que o peão atravesse a estrada, é bajulado com agradecimentos, como que a dizer "O senhor é uma alma caridosa. Ainda bem que o senhor existe". Esta situação acontece tão frequentemente que a obrigação torna-se agradecer e não parar.
É aqui que eu faço questão de ser arrogante. Não vejo necessidade de agradecer (e não agradeço) e irrita-me quando me agradecem. Sempre que atravesso a rua, escolho o meu ar altivo e nem sequer dirijo o olhar para o automobilista. Mal educado? Talvez... Mas com muito gosto!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Maddie(atização)

Seria de esperar que, depois dos acontecimentos de ontem na nossa representação no futebol europeu, eu falasse da vergonha que foi a atitude do técnico português perante uma situação de pressão. Mas não vou falar sobre isso. Não há interpretação possível para uma atitude tão condenável. Aconteceu o que não deveria ter acontecido. Não há mais nada a dizer.


Vou abordar um tema que me tem irritado profundamente desde há algum tempo para cá. O caso Maddie.
É certo que o que aconteceu foi uma tragédia, afinal trata-se de um ser humano que desapareceu, agravado pelo facto de esse ser humano ser uma criança. Compreendo a impotência que devem sentir os familiares, amigos e até o povo português.
Não aceito, mas compreendo, a enorme mobilização do povo para tentar encontrar esta criança. Não condeno esta mobilização, mas parece-me que mais uma vez damos demasiada importância ao que não é nosso. Nunca este tipo de atitude aconteceu perante um desaparecimento de uma criança portuguesa e para isso só encontro uma explicação: a contínua desvalorização do que é português e extrema necessidade de agradar ao forasteiro, afinal "o que é estrangeiro é que é bom".
Mas, no meio desta mobilização, o que me irrita mesmo é a mediatização dos acontecimentos. Esta mediatização seria bem vinda se os factos fossem apresentados como tal e se tivessem a utilidade de nos fazer compreender qual o andamento do processo. No entanto, estes factos não são correctos e levam a que sejam feitos juízos de valor e julgamentos mesmo antes de estes acontecerem, mesmo antes de todo o processo estar terminado. Para além disso, as imagens e o conteúdo apresentados em nada se revelam relevantes.
Esta minha irritação teve o seu máximo no fim de semana passado. Num canal de noticias foi apresentado, durante cerca de uma hora, o percurso dos pais de Maddie desde a saída do avião até à sua residência. Qual a relevância desta emissão? Depois desta emissão, quais os novos factos que realmente importam? Vejo apenas vejo um: o casal McCann voltou para a Inglaterra. Provável duração da notícia: 1 minuto.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O Dalai Lama

Durante esta semana, e à semelhança do que já se passou em anos anteriores, vai estar em Portugal a autoridade máxima do povo tibetano: o Dalai Lama.
Esta visita não é inédita, tal como não é inédito, na minha opinião, o desrespeito por parte do governo Português: o líder espiritual não vai ser recebido oficialmente.

Dito desta maneira, a recepção oficial parece apenas um pro forma. Mas não é... Seria se o Tibete não estivesse a ser anexado pela China de uma maneira cruel e calculista. Mas está... A recepção oficial seria uma forma de mostrar, à comunidade internacional, que estamos solidários com a causa tibetana.
Esta nega pela recepção oficial pode ter muitas explicações, mas nenhuma foi dada.
Parece-me que o facto de existirem relações diplomáticas entre Portugal e a China, impede que Portugal realize uma cerimónia que é normal para qualquer autoridade máxima. Um motivo apenas compreensível para quem ache mais relevante a prosperidade económica sobre a prosperidade cultural, humana e espiritual. Estar solidário com a causa tibetana significa entrar em conflito com uma nação que desrespeita por completo os direito humanos mas que cada vez mais dá cartas na economia mundial.

No entanto, nem tudo está perdido. O Dalai Lama vai ser recebido pelo Presidente da Assembleia da Républica como que a dizer "És importante mas não muito".

Infelizmente vai assim o Mundo, reflectido neste nosso Portugal. Um povo, uma cultura em vias de extinção... e um líder a quem é dada pouca relevância e que pouco ou nada pode fazer...


O primeiro

Resolvi iniciar um blog. A expriência na Índia (http://eraumavezindia.blogspt.com) ensinou-me que gosto de escrever e gosto que leiam o que escrevo (é o meu lado narcisista a falar mais alto).

Não tenho tema para o blog. Descrição: opiniões e pensamentos escritos de uma maneira não regular e sempre sincera.

Apareçam.