Descobri que comparado com a maioria dos portugueses sou prepotente, arrogante e até mal educado. Estas características apenas se manifestam numa situação em especial. Não quero com isto dizer que não possa ser considerado prepotente e arrogante noutras alturas. A diferença é que nesta situação eu faço por isso.A situação em causa é simples: atravessar a zebra (vulgo passadeira). É verdade, quando atravesso uma passadeira sou o tipo mais arrogante e mal agradecido à face da terra. Passo a explicar.
O povo português, como é do conhecimento geral, não é propriamente um povo cívico e respeitador no que diz respeito às regras de trânsito. Ora, sendo a passadeira parte integrante do código da estrada, nada mais natural para nós do que simplesmente ignorar as riscas brancas que atravessam a estrada. Se o peão quer passar, terá que esperar que haja uma "aberta" no fluxo do trânsito e, quem sabe, dar uma "corridinha" até ao outro lado da estrada. Neste cenário, sempre que um automobilista pára e permite que o peão atravesse a estrada, é bajulado com agradecimentos, como que a dizer "O senhor é uma alma caridosa. Ainda bem que o senhor existe". Esta situação acontece tão frequentemente que a obrigação torna-se agradecer e não parar.
É aqui que eu faço questão de ser arrogante. Não vejo necessidade de agradecer (e não agradeço) e irrita-me quando me agradecem. Sempre que atravesso a rua, escolho o meu ar altivo e nem sequer dirijo o olhar para o automobilista. Mal educado? Talvez... Mas com muito gosto!
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