Seria de esperar que, depois dos acontecimentos de ontem na nossa representação no futebol europeu, eu falasse da vergonha que foi a atitude do técnico português perante uma situação de pressão. Mas não vou falar sobre isso. Não há interpretação possível para uma atitude tão condenável. Aconteceu o que não deveria ter acontecido. Não há mais nada a dizer.Vou abordar um tema que me tem irritado profundamente desde há algum tempo para cá. O caso Maddie.
É certo que o que aconteceu foi uma tragédia, afinal trata-se de um ser humano que desapareceu, agravado pelo facto de esse ser humano ser uma criança. Compreendo a impotência que devem sentir os familiares, amigos e até o povo português.
Não aceito, mas compreendo, a enorme mobilização do povo para tentar encontrar esta criança. Não condeno esta mobilização, mas parece-me que mais uma vez damos demasiada importância ao que não é nosso. Nunca este tipo de atitude aconteceu perante um desaparecimento de uma criança portuguesa e para isso só encontro uma explicação: a contínua desvalorização do que é português e extrema necessidade de agradar ao forasteiro, afinal "o que é estrangeiro é que é bom".
Mas, no meio desta mobilização, o que me irrita mesmo é a mediatização dos acontecimentos. Esta mediatização seria bem vinda se os factos fossem apresentados como tal e se tivessem a utilidade de nos fazer compreender qual o andamento do processo. No entanto, estes factos não são correctos e levam a que sejam feitos juízos de valor e julgamentos mesmo antes de estes acontecerem, mesmo antes de todo o processo estar terminado. Para além disso, as imagens e o conteúdo apresentados em nada se revelam relevantes.
Esta minha irritação teve o seu máximo no fim de semana passado. Num canal de noticias foi apresentado, durante cerca de uma hora, o percurso dos pais de Maddie desde a saída do avião até à sua residência. Qual a relevância desta emissão? Depois desta emissão, quais os novos factos que realmente importam? Vejo apenas vejo um: o casal McCann voltou para a Inglaterra. Provável duração da notícia: 1 minuto.
5 comentários:
Concordo com o que foi escrito pelo Filipe!!!
É triste, mas é a realidade...
Só o que é Estrangeiro é bom...pena ser assim...será que podemos mudar isso???
Podemos...!!!
Que tál valorizarmos mais o nosso País???
Vamos à luta!!!
"O QUE É NACIONAL É SUPERIOR AO BOM"
A minha paciência também chegou ao limite com essa mesma notícia, mas não concordo nada que foi dada muita importância apenas porque são estrangeiros.
É bom não esquecer que o Algarve vive do turismo, e muito do turismo inglês. Como é obvio não convém mediatização negativa. É bom que o caso se resolva o quanto mais cedo possível.
Por outro lado, e nunca antes visto, foi o protagonismo e mediatismo que os pais sempre quiseram ter. Caramba, foram ao papa...
Cara Lu.
Por muito que não possa parecer acabas por concordar comigo. Toda a atenção que foi dada pelos Media (e convém dizer pelos populares), apenas aconteceu porque os visados são estrangeiros. Esta atenção em nada ajuda a resolução do caso. Todos os dias há especulação, falsas teorias, julgamentos em praça pública... Falando em termos turísticos e sociais, será esta a publicidade que queremos?
Caro Filipe
O que eu quis dizer foi que a mediatização não se deveu ao facto deles serem estrangeiros, como quem diz que o que é estrangeiro é que é bom e o português é que é mau, tal é o miserabilismo que nos caracteriza.
A verdade é que a "tragédia" aconteceu no Algarve, e o Algarve vive do turismo, e como é evidente os turistas são estrangeiros. Se tivesse acontecido em Bragança a cobertura mediática seria completamente diferente!
Em segundo, e como disse e repito, os pais da Maddie insistiram nesta mediatização, como se pôde observar pela cobertura mediática estrangeira.
Aliás, com o seu discurso até pode justificar a cobertura mediática portuguesa, mas como justifica a cobertura estrangeira?
Cumprimentos.
Bem Lu, o que eu não percebo é o que quer dizer (em seguimento do seu discurso) que convém que o caso se resolva o mais rapidamente possível porque não se quer mediatização negativa?! E então se fosse um português, não interessava que o caso fosse resolvido de forma célere?!
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